Bruno Zanetti

Museu do Impedimento Lea Campos

AKQA — Google

Passinho a Passinho

AKQA — Netflix

So Simple

“Filho, não tem jeito, você vai ter que usar óculos”. Quando minha mãe disse isso, meu peito afundou. Eu tinha 10 anos. Detalhe: naquela época, usar óculos não tava na moda. Muito menos pra uma criança. O jeito foi me acostumar às lentes e aos enquadramentos fornecidos pela armação. Foi mais ou menos nessa época que comecei a me interessar por cinema. A maneira como o cinema conseguia, com sua lente, enquadrar a realidade de tal maneira como nenhuma outra arte é capaz. Não deu jeito, o cinema falou comigo: “Filho, não tem jeito, você vai ter que fazer cinema”. Mas sem a voz da minha mãe. Cursei publicidade na FAAP e já no primeiro semestre estava trabalhando na Margarida Flores e Filmes, em áreas como produção, pesquisa e finalização. Depois, ainda na faculdade, fiquei um ano na Sentimental Filme trabalhando na pós-produção. O canto da sereia do set de filmagem me levou à área da direção, onde atuei como assistente para diretores como Dois, Afonso Poyart, Vellas, Caito Ortiz e André Godoi. Entre um freela e outro, comecei a dirigir meus próprios filmes. Essa fase me ajudou a colocar em prática aquilo que me fisgou em primeiro lugar: a criação de imagens narrativas, tirando o máximo possível da fotografia, câmera, enquadramentos e direção de arte.